A DESCOBERTA DA PÓLVORA QUANDO ELA NOS ESTOURA NA CARA
Um pateta apresentava na tv, uma notícia de telejornal que começava assim: "Há AGORA um novo fenómeno nas escolas chamado "bulling", a violência de alunos contra outros alunos". Na verdade, a notícia deveria ser: "Há agora um novo tipo de jornalistas chamados "ignorants-no-brain-at-all".
Só alguém muito estúpido, ou muito distraído, pode pensar que o bulling é um fenómeno novo. Como se diz nos livros fraquinhos "desde tempos imemoriais" que rapazes torturam rapazes e raparigas outras raparigas, pelas mais diversas razões. Por serem gordos, ou feios, ou filhos de pais divorciados, ou pobres, ou efeminados, ou masculinizados(as), ou apenas por serem mais fracos e não se saberem ou poderem defender. As torturas podem ser físicas (como um rapaz transmontano que um dia me escreveu) ou psicológicas, ou um misto das duas. Desde sempre que pudemos encontrar miúdos encolhidos em recantos escuros da escola, à espera que toque para entrar, ou que todos já estejam vestidos no balneário, ou a correr para casa, antes que seja tarde de mais.
Sempre assim foi e, provavelmente, sempre assim será. Porque a infância e a adolescência não são apenas aquela coisa perfumada e inocente em que gostamos de acreditar, mas sim, a porta de entrada da crueldade ou da bondade humanas. Apenas com menos filtros. Como o tabaco em bruto.
Eu próprio fui vítima de bulling entre o 8º(2 vezes) e o 9º anos. Passei de melhor aluno da turma, a pior, do mais alegre ao mais calado. Fui perseguido e torturado psicologicamente por vários grupos de indivíduos, "inocentes-a-precisar-de-recuperação", como o ministério da Educação agora os definiria - que aproveitavam todas as oportunidades para me fazer sentir que não passava de uma nódoa insignificante no passeio. Estou hoje, aqui, vivo, apenas porque calhou. Porque a vida deu uma súbita guinada para o lado feliz, quando eu já não pensava senão em acabar comigo. Conto isto, sem particular nota de dramatismo, porque conheci tantas e tantas pessoas que passaram pelo mesmo. Era normal, nesse tempo. Algumas delas não se aguentaram e, da terra de onde venho, o suicídio não é uma palavra estranha.
Não, senhor jornalista, o "bulling" não é novo. Só a palavra. Antigamente chamava-se era "crueldade".
4 comentários:
Se eu fosse psicólogo diria que essa ferida, agora "lambida", está sarada mas não esquecida.
Como não sou permito-me recordar uma frase que escrevi e utilizei como fundo numas fotos enviadas da guerra ou melhor, do cumprimento do dever como se dizia na época, Os bons momentos recordam-se, Os maus nunca se esquecem.
Também devo estar a necessitar de psicólogo para justificar este comportamento.
Um abraço,
BS
Totalmente de acordo.
Posso mandar-lhe um sorriso?
:))
Agora deixe-me ser bruta: ignorantes sim, mas também muito parolos vá lá... provincianos... palavra "estrangeira" deve ser coisa importante...
Pior um pouco são os cientistas da educação armados ao pingarelho que atiraram com o palavrão "estrangeiro" agora a propósito do Carolina... e nem tinha nada a ver...
Tem toda a razão,é crueldade pura e simples!
Quando eu era miúda e andava semi-interna num colégio de freiras e como sou estrábica chamavam-me a Manela do olho torto!Doi-a mas como a vida me deu inteligência 1 dia ao olhar pro espelho descobri "Pois eu posso ter um olho torto,mas tu que tens os dois direitos vais ser feia toda a vida,eu não" a ferida ficou cá mas sarada e quando era atacada dessa forma tanto na minha vida profissional como na rua, Lá saia a frase com um sorriso radioso.
É crueldade pura e simples.
Um abraço
MDB
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